Um
canal fechado de TV produziu, recentemente, um programa, a exemplo do que, no
final de 2007, um jornal da capital paulista veiculou, e desvelou a exploração
do trabalhador boliviano, nas Oficinas de Costura, em São Paulo.
Os filhos do deserto,
onde a terra esposa a luz, das tribos de homens nus, os guerreiros ousados, denunciados
nos versos de Castro Alves, são agora os filhos dos Andes e chegam sem cruzar
mares, sem navios, sem conforto e sem perspectiva, à Estação Rodoviária
paulista, e atualizam a versão dos navios negreiros de outrora. Surgem as novas
senzalas.
Clandestinos,
ao entrarem no país, “admitidos” por patrícios ou intermediários, por “bons
ganhos” e com promessa de felicidade, os profissionais da agulha e linha, “acertam”
seus contratos de trabalho, sem se dar conta das jornadas escorchantes de
trabalho, do ingresso nos porões tecidos com retalhos descorados.
Passam,
assim, a compor o cotidiano dos vieses de suas vidas já severinas, perdidas
entre traçados, alinhavos, pontos a costurar peças que, juntas a essa
realidade, as prendem nas Oficinas de Costura do Brás, Bom Retiro, Parí e
adjacências, em troca de comida, moradia, ou, ainda, alguns centavos ao dia.
É
notório que o fenômeno da globalização econômica provoca a migração. A
desigualdade regional repete o movimento e faz deslocar pessoas em busca de
melhor situação de vida. É fato, também,
que essa migração leva à exploração e à degradação humana.
Impossível
aceitar a nova senzala. Impossível não se indignar ao saber que se produzem, no
maior centro da moda do país, estação a estação, coleções e coleções, ainda que
populares, que despem o direito da pessoa.
Abril 2013
Nenhum comentário:
Postar um comentário