sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Brincadeiras: jogos e jogados


Longe está o tempo da bolinha de gude, do pique, das peladas nas ruas (entenda-se futebol) e outras aventuras que povoaram o mundo infantil.
Os dias de primavera nas tardes fagueiras dos bosques, a matinha peculiar de cada cidade onde as crianças, voavam de cipó a cipó, numa grande concentração de Tarzans ficaram entre memórias e gibis, histórias de vida tecidas pelos então pequenos heróis.
Éramos cowboys, índios, mocinhos ou bandidos; apenas isso. E valia o brincar até quando a tarde morria e nos lembrávamos, com frio na barriga e com um gosto de transgressão, dos ensinamentos dos pais sobre os perigos do nadar às escondidas  dos mergulhos não autorizados nos córregos da cidade – o Poção, lembre-se, era o pânico dos pais - mesmo assim, a gente arriscava e o fazia, para tomar um gole de aventura e de felicidade.
Os carrinhos de rolimã rasgavam ruelas, ladeiras, calçadas: as disputas desenfreadas, quase sempre, terminavam até mesmo na alegria dos joelhos ralados.    
Os terrenos baldios não tinham o ar de abandono dos de hoje. Eram territórios de jogadores de peões de madeira, do esconde-esconde, do pega-pega, do taco, ou “bete”, aquele mesmo das vidraças estilhaçadas... afinal, eram coisas de crianças.
Vida controversa! E lá fora, distante, fria, perigosa ficou a rua dos meninos, sem eles. O brincar infantil da atualidade já integrou a era digital: celulares, câmeras, players de MP 10 (e sabe-se lá a que número se chegará), jogos de luta, de guerra também furtam a infância. Um apelo tecnológico assustador. Uma roda viva aprisionadora de mentes, sem cabanas, nem cavernas, ou forte apache. Novos jogos em vidas jogadas, talvez, vidas de faça-de-conta.
17/01;2011

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