Longe
está o tempo da bolinha de gude, do pique, das peladas nas ruas (entenda-se
futebol) e outras aventuras que povoaram o mundo infantil.
Os
dias de primavera nas tardes fagueiras dos bosques, a matinha peculiar de cada
cidade onde as crianças, voavam de cipó a cipó, numa grande concentração de
Tarzans ficaram entre memórias e gibis, histórias de vida tecidas pelos então
pequenos heróis.
Éramos
cowboys, índios, mocinhos ou bandidos; apenas isso. E valia o brincar até
quando a tarde morria e nos lembrávamos, com frio na barriga e com um gosto de
transgressão, dos ensinamentos dos pais sobre os perigos do nadar às escondidas
dos mergulhos não autorizados nos
córregos da cidade – o Poção, lembre-se, era o pânico dos pais - mesmo assim, a
gente arriscava e o fazia, para tomar um gole de aventura e de felicidade.
Os
carrinhos de rolimã rasgavam ruelas, ladeiras, calçadas: as disputas
desenfreadas, quase sempre, terminavam até mesmo na alegria dos joelhos
ralados.
Os
terrenos baldios não tinham o ar de abandono dos de hoje. Eram territórios de
jogadores de peões de madeira, do esconde-esconde, do pega-pega, do taco, ou
“bete”, aquele mesmo das vidraças estilhaçadas... afinal, eram coisas de
crianças.
Vida
controversa! E lá fora, distante, fria, perigosa ficou a rua dos meninos, sem
eles. O brincar infantil da atualidade já integrou a era digital: celulares,
câmeras, players de MP 10 (e sabe-se lá a que número se chegará), jogos de
luta, de guerra também furtam a infância. Um apelo tecnológico assustador. Uma
roda viva aprisionadora de mentes, sem cabanas, nem cavernas, ou forte apache.
Novos jogos em vidas jogadas, talvez, vidas de faça-de-conta.
17/01;2011
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