O poeta
Carlos Drummond, em seu poema Para sempre, pergunta intrigante: Por que Deus permite que as mães vão se
embora? Tal qual o poeta, muitos repetem a mesma pergunta que ecoa...,
simplesmente ecoa...
O real
assustador é que a hora chega e, com a realidade desnudada, a sensação de
abandono, a falta de chão, é tal qual o momento da separação do seio-alimentador
dos primeiros tempos de vida.
Mas,
após a separação – fosse para receber um irmão, novo titular do leite natural,
a mãe ali estava, para criar mais um filho, com amor infinito. Ou mesmo quando
era tempo de escola, aos sete anos, uma nova ruptura. Como o sinal da aula, a
mãe era presente para levar ao colégio, para brigar na escola contra todos os
perigos possíveis a seu bem mais precioso.
Na
juventude, outra separação: ganhava-se a rua, os amigos contra o sono perdido. De
volta a casa, a que hora fosse, a mãe bem perto era acalanto para perdas, danos
ou porres homéricos.
Ao
ingressar no mundo do trabalho, outro corte: mas a roupa cuidada, a chamada
matinal, as refeições, os bons conselhos e a torcida para que o melhor filho do
mundo fosse o melhor profissional, era presente materno vivo.
O
casamento: um novo rompimento. Tempo depois, sua presença no papel de avó proclamava
que a vida se recicla e ressurge especialista na função de zelar, de proteger e
de amar mais gente.
Porém,
sem esgotar o potencial de amar, um dia, as mães partem. Retiram-se de cena.
Deixam-nos. Travados, disfarçamo-nos, como crianças, a perguntar: – por que está fria, mãe? Por que cerrou seus olhos? Mas, parafraseando
Guimarães Rosa, não morrem: ficam encantadas!
13/04/2009
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