Na pós-modernidade
a cultura do descartável acentuou-se. Tudo, de repente, é descartável:
marmitas, sacolas, fraldas, pratos e talheres, aparelhos eletro-eletrônicos, garrafas,
tampinhas etc. Usou, serviu-se e fartou-se, joga-se.
A Enciclopédia
Wikipédia define, resumidamente, o termo: um
produto com curto prazo, destinado apenas para uma utilização. É evidente
que o descartável torna as coisas mais práticas, proporciona economia,
satisfação imediata: faz poupar tempo, coisas e até pessoas.
Isso causa estranhamento:
o alcance dessa cultura, que atinge relacionamentos humanos. Algumas pessoas
usam outras e, depois disso, as descartam.
Um exemplo está
nas práticas de políticos: passadas as águas eleitorais, tudo se limpa! Alguns
amigos praticam o descarte. Amizade boa é aquela que vale o tempo do intento.
Feita a colheita, deleta-se o trouxa.
O campo amoroso
também se vitima frente ao cortante descarte. Amar, nesses tempos, dura muito.
Ficar parece ser a solução para depois, sair e, quem sabe, registrar a
estatística. No trabalho, especialmente
no setor privado, tudo pode ir muito bem, até mesmo por um tempo longo. De repente,
o temível descarte chega como a morte e derruba certezas e sonhos.
A fala recente de
um professor fez confirmar a prática do descarte no campo profissional.
Dizia-me ele que sempre se dedicou a um trabalho sério, sem limites e sem
horas, do tipo “pau para toda a obra”. E arrematou: “um belo dia - ironia das
narrativas - fizeram de mim um copo descartável”.
E ainda há quem,
profissional do setor público, descarte tanto trabalho, idéias, projetos e
pessoas.
15/03/2009
Nenhum comentário:
Postar um comentário