sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Do que é descartável


Na pós-modernidade a cultura do descartável acentuou-se. Tudo, de repente, é descartável: marmitas, sacolas, fraldas, pratos e talheres, aparelhos eletro-eletrônicos, garrafas, tampinhas etc. Usou, serviu-se e fartou-se, joga-se.
A Enciclopédia Wikipédia define, resumidamente, o termo: um produto com curto prazo, destinado apenas para uma utilização. É evidente que o descartável torna as coisas mais práticas, proporciona economia, satisfação imediata: faz poupar tempo, coisas e até pessoas.
Isso causa estranhamento: o alcance dessa cultura, que atinge relacionamentos humanos. Algumas pessoas usam outras e, depois disso, as descartam.
Um exemplo está nas práticas de políticos: passadas as águas eleitorais, tudo se limpa! Alguns amigos praticam o descarte. Amizade boa é aquela que vale o tempo do intento. Feita a colheita, deleta-se o trouxa.
O campo amoroso também se vitima frente ao cortante descarte. Amar, nesses tempos, dura muito. Ficar parece ser a solução para depois, sair e, quem sabe, registrar a estatística.  No trabalho, especialmente no setor privado, tudo pode ir muito bem, até mesmo por um tempo longo. De repente, o temível descarte chega como a morte e derruba certezas e sonhos.
A fala recente de um professor fez confirmar a prática do descarte no campo profissional. Dizia-me ele que sempre se dedicou a um trabalho sério, sem limites e sem horas, do tipo “pau para toda a obra”. E arrematou: “um belo dia - ironia das narrativas - fizeram de mim um copo descartável”.
E ainda há quem, profissional do setor público, descarte tanto trabalho, idéias, projetos e pessoas.
15/03/2009

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